O possível e o viável

O possível e o viável

Há alguns anos, ouvia uma palestra do meu chefe quando então ele disse a seguinte frase: “É preciso saber avaliar cada projeto, porque tudo é possível, mas nem tudo é viável”. Ok, a princípio soa como o maior clichê do mundo. Mas na verdade, essa frase resume um dos pontos críticos do gerenciamento de projetos, principalmente na web.

Hoje, com a quantidade absurda de ferramentas, tecnologias, linguagens, APIs, recursos multimídia e devices que criativos, designers e programadores têm disponíveis para trabalhar, não é exagero afirmar que existem possibilidades quase ilimitadas de abordagens para cada projeto. Porém, além do caminho a ser seguido, é necessário definir dois outros pontos igualmente importantes: prazo e objetivo.

Apesar de óbvia, afinal todos concordam que é necessário que cada projeto tenha um objetivo principal e uma data de conclusão, a definição destes pontos necessariamente resulta na limitação daqueles caminhos inicialmente possíveis. Alguns deles deixarão de ser possíveis tendo em vista aquele prazo e objetivo. E é preciso que todos os envolvidos tenham isso em mente. Ao gerente do projeto cabe entender qual é o core, o essencial, aquelas funcionalidades e componentes imprescindíveis, com impacto direto no cumprimento ou não do objetivo inicial. Com desenvolvedores, designers e demais colaboradores fica a missão de estudar cada parte do projeto e dar estimativas realistas de entrega para cada etapa.

Decisão

É claro que a tarefa de decidir quais features serão implementadas num projeto não é simples e precisa basear-se no maior número de dados possíveis: importância, impacto, tempo de desenvolvimento, período de testes, recursos necessários, custos, riscos.

Ao avaliar um componente, o gerente do projeto deve considerar cada um desses aspectos, estudá-los, reunir-se com desenvolvedores para entender a mecânica de sua construção, perguntar quais são os riscos, calcular o custo e entender como aquele pedaço se encaixa no projeto como um todo.
Fica clara aqui a necessidade de consultar outras áreas para compreender todos esses fatores. Também é nesse momento que desenvolvedores, designers e outras áreas da empresa podem expor suas opiniões, ligadas claro ao seu campo de atuação. Nada de programador dar pitaco em layout, muito menos designer se intrometer em código.

Porém, finalizada a etapa de consultas e entendimento, a decisão de que caminho seguir é um ato individual, solitário. Deve concentrar-se no gerente, que precisa ter esse poder e essa responsabilidade. Abrir demais o processo de decisão corresponde necessariamente à perda de foco e de velocidade. Além disso, o gerente só pode ser cobrado por algo sobre o qual ele tem controle, por isso a última palavra deve ser dele.

Você gostou deste post?